CONTOS E FADAS

Festa, Brincadeira, Estória e Muita Diversão

D. ONÇA E A TEMPESTADE DO SR. JABUTI

                                    
 


A MAGIA DE KASHRA

Certa vez em um desses reinos muito, muito distante,chamado Praeclarius e há muito, muito tempo atrás, um bondoso e justo rei estava muito feliz, pois sua esposa esperava o primeiro filho. O filho que desejavam há muito.

 

Porém, alguém não compartilhava de tanta felicidade.Lenora, a irmã mais velha do rei Jonas, muito invejosa, não se conformava com o fato de seu pai ter escolhido o filho caçula para lhe suceder, tornando-se o“Soberano do Reino de Praeclarius”, para ela o direito lhe pertencia. Por isso se isolou nas montanhas do centro da Floresta Sombria e lá ficou por anos,tramando sua vingança. Ao saber do nascimento do sobrinho, teve a oportunidade brilhante que esperava por tanto tempo...

                                                                           

 

O que será que ela está tramando, hein?

 

 

Finalmente o grande dia. O pequeno príncipe nasceu forte e com muita saúde. Todos festejaram com grande euforia.

 

No fim da noite, exaustos,  todos no reino adormeceram. Não se ouvia se quer, o cantar dos sapos e grilos. Todos descansavam e tinham sonhos felizes e lindos desejos de felicidade para o pequenino.

 

Mas em meio a toda a serenidade, uma névoa sinistra se aproximou e mansamente envolveu o castelo.

 

Montada em um gigantesco pássaro, Lenora, entrou no quarto onde o bebê e suas amas dormiam profundamente...

 

Com suas cruéis intenções, tomou o príncipe em seus braços, voltou ao seu criado alado e alçou vôo de volta ao seu refúgio.


Na manhã seguinte o rei acordou com as batidas fortes, das amas, em sua porta, desesperadas:

 

-  Senhor... Senhor!Uma catástrofe... Uma tragédia... O príncipe sumiu!

 

-     O quê!!!Mas como???

 

Todos saíram à procura do pequeno príncipe, se perguntando quem faria tamanha maldade, mas não encontraram nada. Não havia se quer uma pista  que explicasse o estranho desaparecimento do bebê.

 

Onde será que ele foi parar???

 

Enquanto isso Lenora chegava a sua fortaleza na“Floresta Sombria”, lugar onde nenhum habitante dos reinos vizinhos ousava pôr os pés, fazendo dele, o lugar perfeito para a malvada se esconder, cercada por seus criados, os Ourgs.

Criaturas de traços humanos, com grandes penas pelos braços e pés de leão que foram subjugados por ela e desde então, vivem apenas para servi-la.

 

Nas proximidades de Praeclarius, havia também um pequeno reino governado pelo rei Nillo. Um rei ganancioso que alimentava uma enorme inveja pela grandiosidade do vizinho e assim se tornara um rei rabugento,muito mal humorado.

 

 Por outro lado,sua esposa Sara era muito amada por todos. Com sua doçura e bondade, não havia quem lhe desejasse mal. Porém trazia consigo uma grande tristeza e nunca se ouvira dizer o porquê de tamanho sofrimento.

 

 

Certo dia,porém, uma notícia trouxe grande alegria para todo o reino. A rainha esperava uma criança e o povo, pela primeira vez, se pode ver um sorriso no lindo rosto da rainha.

 

 

 Nasceu, enfim, uma linda princesa que levou o nome de Rayane.

 

 

 Os anos se passaram e a princesa cresceu rápidofeito um pezinho de feijão.

 

 

Ela adorava passear por um jardim que havia crescido por si mesmo, bem ao lado dos frios e cinzentos muros do castelo. A raiz de uma árvore fez um buraco nesse muro, por onde Rayane passava para admirar as flores. Lá ela sonhava, sonhava muito e cada botãozinho de flor que surgia, era mais um sonho de menina, que certamente floresceria um dia.

 

 

Certa vez seus pensamentos foram interrompidos bruscamente. Alguém caiu dos galhos da grande árvore e “despencou” a correr,fugindo do olhar da menina que, muito curiosa, fez questão de correr atrás.

 

 

Quando  alcançou a Floresta Sombria, o estranho parou e se virou para Rayane, que chegava logo atrás:

 

-Não pode continuar me seguindo.

 

-Mas eu...

 

O estranho, um menino pouco maior que ela, entrou na mata, enquanto a princesinha se virava para voltar ao jardim, mas...

 

Alguma coisa a fez desistir e ela correu floresta adentro.

 

 

Entre galhos, arbustos, pedras e horas de caminhada,ela se viu perdida e o manto negro da noite que chegava, tornava o lugar cada vez mais  assustador.

 

Muito cansada e amedrontada, sentou-se sobre um tronco caído e se pôs a chorar, até adormecer em meio a tantas lágrimas.

 

 

Horas mais tarde a menina acordou ouvindo gritos assustadores. Mais uma vez sua curiosidade foi maior que seu medo. Decidiu ver o que estava acontecendo.

 

 

Seguindo os gritos e gemidos, passando entre cipós entrelaçados que tentavam impedir sua passagem e se esgueirando por entre pedras, ela chegou em uma caverna cheia de Ourgs.

 

Rayane nunca tinha visto tais criaturas, mas o que mais a assustou foi uma mulher de vestidos negros que chicoteava as pobres criaturas.

 

 

A princesinha observava atentamente, escondida atrás de uma rocha.     

 

De repente o silêncio. A mulher percebeu a presença da menina e ergueu o olhar o em direção aos olhos assustados de Rayane. Com um pequeno movimento, ordenou aos Ourgs que levassem a menina até ela.

 (...)

 

 

 

 

D. ONÇA E A TEMPESTADE DO SR. JABUTI

 

D. Onça, certo dia, ao andar pela mata encontrou o Sr. Jabuti que, todo sonolento, andava vagarosamente em direção aopoente e se pôs a perguntar com voz de deboche:

 

- Onde vai assim tão apressado Sr. Jabuti? Algum compromisso importante?

 

- Vou para o alto da montanha mais alta, pois vem vindo aí um temporal... Uma chuva torrencial que vai alagar toda a mata... Avise aos outros bichos, e avise logo viu?

 

 E D. Onça, as gargalhadas, continuou a vagar pela floresta e todo o bicho que via, dizia com toda a zombaria:

 

- Corram, se apressem, pois o Sr. Jabuti falou que vem por aí uma chuva torrencial e ele já se "apressou" em seu "passo de tartaruga", para chegar a montanha mais alta antes da tempestade... Vê se pode, com um céu limpo como esse dos últimos dias... Kakakakaka... Uma tempestade, uma chuva torrencial... Kakakakaka....

 

 Depois, ia D. Onça encotrar outro bicho e recomeçar a zombaria. Por sua vez, cada bicho que ouvia, dava um sorriso amarelo em resposta as gargalhadas de D. Onça e se apressava em sair.

 

 Passou aquela tarde, passou toda a noite e nada de tempestade, ou chuva torrencial.

 

 Na manhã seguinte D. Onça deixou sua toca, para sua costumeira caminhada matinal. Andou, andou pela mata e logo percebeu que alguma coisa estava errada. D. Onça achou muito estranho, pois não viu bicho nenhum... A mata estava parecendo uma "mata fantasma", vazia, vazia.

 

 D. Onça não conseguia pensar em um motivo para tamanha estranhice... E foi aí que começou aquela correria no céu.

 

 As nuvens branquinhas se apressavam em carreira, fugindo da ventania e das nuvens negras, enfurecidas que despontavam no horizonte e rapidinho, rapidinho, a céu enegreceu e raios fatiavam aquele manto escuro, enquanto o trovão ralhava alto com toda aquela confusão.

 

 D. Onça correu para sua toca, pensando que lá estaria protegida, mas quando a chuva começou a cair, mostrou que era mesmo uma chuva torrencial, uma tremenda tempestade que logo alagou a mata e inundou a toca. D. Onça, desesperada, se pôs a nadar contra a o "rio" que cobria a mata para chegar a montanha mais alta e quando conseguiu enfim subir até lá, encontrou toda a bicharada abrigada em uma grande toca nas pedras da montanha e, claro, foi cordealmente recebida pelo Sr. Jabuti, enquanto os outros bichos caiam na gargalhada em ver a D. Onça toda encharcada.

 

FIM   

 

 

 

 

 

                

 

 

 

CAUSOS DE ASSOMBRAÇÃO A BEIRA DO FOGÃO A LENHA

 

 

 

CAP.I


De repente, passando pela cozinha, a chama azulada do fogão a gás me arremeteu a outro lugar, outro tempo.


Pude ouvir o “tac-tac-tac” do chinelo de dedos de minha mãe, que com as pernas cruzadas, uma por cima da outra, batia o chinelo na sola do pé direito, em ritmo frenético. Eu sempre tentava imitar, mas qual nada. A velocidade com que ela fazia aquilo era inalcançável para mim.


Talvez pelo tamanho do chinelo que calçava os enormes pés de cinco anos, ou mesmo a falta de jeito, “descoordenação motora”.


Outros acabavam sendo contagiados pelo “tac-tac-tac” de minha, enquanto aquela “roda de contação de estórias de gente grande” aumentava aos poucos com a chegada de outros tios, primos, vizinhos...


Lembro-me bem do cenário.


A cozinha de minha avó.


A construção rústica, de teto baixo, bem baixinho mesmo, onde, em alguns lugares, certos adultos se abaixavam para não encostar a cabeça. Em um canto, a estrela da noite. Um fogão a lenha aceso, com suas enormes labaredas e aconchegante calor.


Entre uma reclamação de vizinhos, uma fofoca sobre a filha assanhada de certo compadre. Alguém começava a falar:


- “Ocês já foro lá pras banda da fazenda do coroné Bento dispois que ele bateu cum as deiz”?


- “Num fumo não, ma pru quê”?


- “Cuntece que o diacho do home, num qué sabê di dexá sas terra, mar de jeito ninhum”!


- “Ma cumé que é isso cumpade”?


- Pois “vô cuntá pro cês”...






Disseram que na noite que o coronel Bento morreu, parecia que o céu ia desabar em água, de tanto que chovia. Relâmpagos rasgavam o céu, clareando a noite, fazendo ficar feito dia.


Na casa grande, o coronel estava trancado no “quartinho do baú” e com três grandes lamparinas a querosene acesas, abria um saco velho, esfarrapado encardido, esparramando sobre a mesa, tudo o que tinha dentro.


Moedas, dinheiro, alguns cordões dourados e... Uma mecha de cabelos.


Coronel Bento gargalhava por seu recente feito e sua nova aquisição. Mas de repente, um relâmpago muito mais forte que os de antes, iluminou o quartinho com uma luz capaz de cegar olhos sãos.


O coronel cobriu os olhos com o braço e esperou um tempo, com os olhos bem cerrados. Quando os abriu, uma moça de cabelo dourados e longos, esparramados pelos ombros. Toda vestida de renda branca estava parada na sua frente.


Sua pele, muito clara e seus olhos tristes, lhe davam um ar angelical.


O coronel nunca permitia que ninguém entrasse no quartinho do baú, temendo por suas riquezas. Tanto que o lugar estava todo empoeirado e repleto de teias de aranha. Mas nem naquele cenário arrepiante, o coronel Bento conseguia pensar em outra coisa, que não fosse sua riqueza e se pôs a esbravejar com a moça:


- “O quê cê tá fazeno aqui?...

- “Devorve o tisoro de meu pai.
- “Qui Mané tisoro do seu pai,o quê! Tudo que é tisoro aqui é meu e só meu, tá sabeno?”
- “Devorve o tisoro de meu pai”...




Sem a menor paciência, o coronel foi até a porta para mandar que a moça se retirasse e percebeu que estava trancada.


Verificou seu bolso e a única chave do quartinho do baú estava lá. O coronel ficou muito intrigado:


-“Cumé qui ocê intrô aqui? Já sei... Subiu pela janela. Cumo que eu num pensei im miorá a sigurança na janela?


O coronel foi ver a janela, mas o quartinho estava no terceiro andar da casa grande. A parede era lisa, não se podia escalar. Não havia nenhuma árvore ou coisa alguma que ajudasse ao acesso para a janela. E o coronel ficou ainda mais intrigado:


- “Cume qui ocê intrô aqui, diacho?”


A moça pálida e vestida de branco, atravessou a mesa e se aproximou ainda mais do coronel:


- “Devorve o tisoro de meu pai.”


Foi aí que o coronel percebeu que se tratava de uma assombração.


Sem raciocinar, pegou a garrucha que carregava nas costas, cerrou os olhos, e disparou chumbo em cima da moça...


Ele tinha certeza de que não havia errado um só disparo, mas quando abriu os olhos, a moça ainda se aproximava lentamente:


- “Devorve o tisoro de meu pai”.


Em desespero, mas sem conseguir se desfazer de sua cobiça, ele contornou a assombração e correu para tentar reunir toda a riqueza exposta na mesa entre seus braços.


A assombração também se virou para a mesa onde foi parar o coronel:


- “Devorve o tisoro de meu pai”


Na tentativa desesperada de proteger sua fortuna, o coronel acabou derrubando as lamparinas e derramando a querosene por todo o quartinho.


O fogo tomou conta dos papéis, da mesa, do dinheiro e até do baú de madeira, mas o coronel não conseguia deixar de tentar salvar sua riqueza e quando o fogo começou a tomar seu corpo, ele nem conseguiu gritar, pois a assombração estava tão perto que ele podia sentir seu hálito gelado em meio às labaredas.


A moça levou suas mãos, as mãos do coronel e lhe tirou a mecha de cabelos e desapareceu, enquanto o fogo se alastrava por toda a casa consumindo tudo...


-...Pois é! Veja só, “ocês qui” nem o dilúvio “qui” caía deu conta “di apagá” o fogo, “qui quemô” por três “dia” e três “noite”. “Dispois disso” todo mundo “qui” chega perto daquelas “terra”, diz “qui” vê o “coroné tentano juntá” suas “riqueza”.

 

O VELHO HOMEM E O VELHO CARVALHO

 


                                           

MARIA HELENA CRUZ

 

   CERTA MANHÃ, QUANDO AS FOLHAS VERDES DA MATA AINDA ESTAVAM COBERTAS PELAS PEQUENAS GOTAS DE ORVALHO EMBRANQUECIDAS PELO FRIO DA MADRUGADA, UM SENHOR DE RUGAS NO ROSTO E OLHOS PUXADOS, ENTROU MATA ADENTRO E SE PÔS A OBSERVAR AS ÁRVORES.

 

   NO INÍCIO TODAS AS ÁRVORES FICARAM APREENSIVAS, DESCONFIADAS, AMEDRONTADAS.

 

   DEPOIS, CADA UMA, SE PÔS A MURMURAR SOBRE SUAS OPINIÕES:

 

   - EU ACHO QUE ELE PROCURA POR UMA ÁRVORE VELHA E SECA QUE SIRVA DE LENHA PARA FORNO...

   - FORNO? NÃO SEI! PRA MIM, A LENHA É PARA LAREIRA...

   - POIS EU VOU ME ESTICAR TODA, PORQUE, COM TODA A CERTEZA, ELE PROCURA ÁRVORES GRANDES, PARA VIRAR BARCOS, COMO O PAI DO “PINHEIRINHO”...

  

   E O MURMURINHO CONTINUAVA E SE ESPALHAVA POR TODA A FLORESTA.

 

   ÁRVORES GRANDES, MAIS TÍMIDAS E AMEDRONTADAS, SE ENCOLHIAM TENTANDO PARECER MAIS VELHAS E FRACAS, ENQUANTO AS MAIS EXIBIDAS, ESPERANDO UM DESTINO GLORIOSO NAS MÃOS DAQUELE SENHOR, SE ESTICAVAM E FAZIAM BROTAR FOLHAS NOVAS, ENQUANTO INFLAVAM SEUS TRONCOS PARA SE APRESENTAREM MAIS ROBUSTAS E FORTES.

 

   UMA DESSAS, MUITO INTROMETIDA, QUANDO VIU QUE O VELHO PASSAVA POR ELA, ESTICOU UMA RAIZ E O FEZ TROPEÇAR, DEPOIS, ESTICOU UM GALHO PARA QUE ELE SE APOIASSE PARA SE LEVANTAR, DIZENDO:

 

   - O SENHOR DEVE TOMAR CUIDADO QUANDO ANDA NA FLORESTA, PODE TROPEÇAR E ATÉ SE MACHUCAR.

   - SIM... SIM... EU SEI, MAS É QUE...

   - OH! PARECE-ME QUE O SENHOR ESTÁ PROCURANDO POR ALGO ESPECIAL, NÃO É MESMO?

   - AH, SIM! PROCURO POR UMA ÁRVORE E...

   - OH! UMA ÁRVORE! POIS VEJA QUE COINCIDÊNCIA! EU SOU UMA ÁRVORE.

 

   O POBRE SENHOR TENTA SE EXPLICAR:

 

   - SIM, MAS É QUE EU...

 

   MAS A ÁRVORE O INTERROMPE E COMEÇA A SE GABAR:

 

   - POIS OLHE BEM PRA MIM. SOU UMA ÁRVORE ROBUSTA, DE TRONCO FORTE E GALHOS GROSSOS. TENHO FOLHAS TÃO VERDINHAS... QUE REVELAM MINHA TENRA, TENRA IDADE...

 

   - SIM, SIM. VEJO QUE É REALMENTE UMA ÁRVORE BEM TALHADA PELA NATUREZA! UM PRIMOR DE PERFEIÇÃO – elogia o velho – MAS... NÃO É O QUE PROCURO...

 

   A ÁRVORE EXIBIDA FICA MURCHA, MURCHA. SEUS GALHOS E SEU TRONCO, CAÍDOS, CAÍDOS.

 

   O VELHO SEGUE PELA FLORESTA E ENCONTRA UMA ÁRVORE MUITO, MUITO MAIS VELHA DO QUE ELE. COM SEU TRONCO COBERTO POR CASCA GROSSA E CRAQUELADA. ALGUMAS FOLHAS AINDA LHE RESTAM, MAS JÁ SECAS E QUASE SE SOLTANDO DOS GALHOS.

 

   A POBRE E VELHA ÁRVORE, AO VER O HOMEM SE APROXIMAR SE ENCOLHE TODA E SE PÕE A TREMER E TREMER. O VELHO SENHOR PERCEBE O TEMOR E SE APROXIMA AINDA MAIS E A VELHA ÁRVORE SE ENCOLHE AINDA MAIS:

 

   - PORQUE ESTÁ COM TANTO MEDO VELHO AMIGO?

   - ORA, COMO DISSESTE, SOU VELHO, SOU O VELHO CARVALHO. MINHAS RAÍZES ESTÃO PRESAS A ESTE CHÃO HÁ TANTAS ERAS QUE NEM ME LEMBRO QUANTO TEMPO FAZ E ME PARA A SEIVA QUANDO PENSO QUE UM HOMEM QUE MAL VIVEU ALGUMAS DÉCADAS, VENHA AQUI E ME ARRANCA AS RAÍZES, SEM SE QUER TENTAR SABER DE MINHA HISTÓRIA...

   - PERDOE-ME VELHO CARVALHO, MAS SE DESEJAR, EU GOSTARIA DE OUVIR SUA HISTÓRIA...

 

   E O VELHO CARVALHO SE PÔS A CONTAR QUE HÁ TANTAS ERAS, QUE ELE NEM SE LEMBRAVA, SUA SEMENTE ACABOU CAINDO NAQUELAS TERRAS E PROTEGIDA POR ÁRVORES VIZINHAS, LOGO COMEÇOU A BROTAR. COM O PASSAR DOS ANOS, SEUS GALHOS SE ESTICAVAM DE MANEIRA MAJESTOSA E SUAS FOLHAS OS COBRIAM COM FARTURA E ABUNDANCIA. DAQUELAS TERRAS FÉRTEIS, SUAS RAÍZES LHE PROVIAM A SEIVA MAIS DOCE E A NATUREZA CUIDAVA DO PEQUENO CARVALHO COM MUITO CARINHO E ESMERO.

 

   OS ANOS SE PASSAVAM E O CARVALHO, AO CRESCER, RETRIBUÍA OS CUIDADOS QUE A NARTUREZA TINHA POR ELE, POIS LOGO, ELE TAMBÉM JÁ PODIA DORNECER SOMBRA PARA PROTEGER OS NOVOS BROTOS E SUAS RAÍZES SEGURAVAM MAIS UMIDADE PARA ESSES NOVOS BROTOS. SEUS GALHOS, JÁ UM POUCO MAIS CRESCIDOS, SERVIAM DE APOIO PARA OS NINHOS DE PASSARINHOS, ENQUANTO SUAS FOLHAS OS PROTEGIAM DO VENTO, DA CHUVA E DO SOL FORTE.

 

   AS DÉCADAS FORAM PASSANDO, PASSANDO E O VELHO CARVALHO VIA, OUVIA E VIVIA MUITAS COISAS NAQUELA MATA E FOI POR CAUSA DE UMA DESSAS COISAS É QUE O POBRE TINHA TAMANHO MEDO DE HOMEM.

 

   CERTA VEZ, QUANDO O VELHO CARVALHO, AINDA ERA UM JOVEM CARVALHO E AO SEU REDOR VIVIAM MUITAS VELHAS ÁRVORES, ENTÃO, ELES CHEGARAM... OS HOMENS!

 

   A FLORESTA NUNCA HAVIA VISTO COISA TÃO BIZARRA... ESQUISITO!

 

   BICHO ESQUISITO!

 

   USAVAM UMA PELE, QUE QUANDO TOMAVAM BANHO NO RIO, TIRAVAM A TAL PELE E DEIXAVAM NA MARGEM. O JEITO DE ANDAR... AQUILO QUE CHAMARAM DE MÃOS... TUDO, TUDO MUITO ESTRANHO.

 

   LOGO, LOGO OS TAIS HOMENS SE INSTALARAM NA MATA. ERGUERAM UMAS COISAS QUE O VELHO CARVALHO NÃO SOUBE EXPLICAR SE ERAM CAVERNAS OU NINHOS ONDE SE ABRIGAVAM... TUDO, TUDO MUITO ESTRANHO, MESMO!

 

   POUCO TEMPO DEPOIS, OS HOMENS MOSTRARAM SUAS GARRAS.

 

   TROUXERAM CONSIGO UNS MONSTROS DE COURO MAIS DURO QUE PEDRA E DENTES MAIORES QUE DE UMA ONÇA BRAVA (eram máquinas e tratores). TAMBÉM LEVAVAM NAS MÃOS UNS GALHOS COM UM DENTE GRANDE E QUADRADO (que eram machados), COM OS QUAIS COMEÇARAM A “MORDER” OS TRONCOS DE ÁRVORES...

 

   COM A DESTRUIÇÃO DAS ÁRVORES E DA MATA, OS ANIMAIS TAMBÉM ACABARAM FERIDOS, OU PERDERAM SEU LAR. OS RIOS COMEÇARAM A SECAR, PORQUE SUAS NASCENTES FORAM MACULADAS. DESMATADAS, PISOTEADAS POR AQUELES MONSTROS ENFURECIDOS E DUROS... 

 

   ENTÃO, TODA A MATA SE UNIU CONTRA O BICHO HOMEM E SEUS MONSTROS E DENTES.

 

   DURANTE A NOITE OS INSETOS, AQUELES PEQUENINOS, PEQUENINOS, PEGARAM CADA UM, UM PEQUENO TORRÃOZINHO, NA VERDADE UM PEQUENO GRÃO DE TERRA E

 

  CONHEÇA  A QUASE-FADA  (TRECHO DO LIVRO  "A QUASE FADA CONTA E ENCACANTA  )

 

A QUASE FADA

CONTA E ENCANTA

 

 

   LÁ NO REINO ENCANTADO DAS FADAS, HÁ ALGUM TEMPO ATRÁS, NASCEU  DE UM BOTÃO DE FADA, UM BEBÊ FADA ENCANTADOR.

 

  COM SEUS CACHINHOS COR-DE-ROSA E SEUS OLHOS VERDES COMO A MATA.

 

  TODAS AS FADAS ESTAVAM AGUARDANDO O NASCIMENTO DESSE BEBÊ COM MUITA ANSIEDADE, POIS DURANTE DÉCADAS, NÃO NASCEU, SE QUER, UMA MINI-FADINHA NO REINO. TUDO PORQUE OS HUMANOS NÃO ACREDITAVAM MAIS NAS FADAS E ELES FAZIAM QUESTÃO DE DIZER ISSO EM ALTA VOZ.

  O REINO ENCANTADO DAS FADAS ESTAVA PERDENDO SEU BRILHO E ENCANTO, MAS QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO, BROTOU UM BOTÃO-DE-FADA QUE RENOVOU A ESPERANÇA DO POVO MÁGICO E AGORA, FINALMENTE O BEBÊ FADA NASCEU... MAS... MAS... MAS...

 

   QUE ESTRANHO!

 

   A RAINHA DAS FADAS EXAMINOU O BEBÊ E... NADA..:

 

   - ESTE BEBÊ NÃO É UMA FADA. -BRADOU A RAINHA - NÃO ENCONTRO NELE, MAGIA ALGUMA.

 

   -OOOOOOOH!!!!

 

   - MAS NÃO PODE SER!

 

   - COMO É ISSO, SE ELA  NASCEU DE UM BOTÃO-DE-FADA? 

 

   - MUITO BEM! ESPERAREMOS ALGUM TEMPO PARA QUE LHE APAREÇAM SEUS TALENTOS, MAS SE NÃO ACONTECER, TERÁ DE DEIXAR O REINO ENCANTADO DAS FADAS.

 

   E ASSIM FIZERAM.

  DEPOIS DE ALGUNS DIAS O BEBÊ FADA JÁ ERA UMA FADA JOVEM E CONTINUAVA SEM MAGIA NENHUMA, POR ISSO FOI CHAMADA DE A “QUASE FADA”.

 

   TODAS AS FADAS DO REINO NÃO QUERIAM FALARA COM A POBREZINHA E POR ISSO ELA PASSAVA TODO SEU “TEMPO LIVRE” CONVERSANDO COM OS INSETOS E BICHINHOS, QUE PODIAM IR E VIR PELO REINO DAS FADAS E O REINO HUMANO.

 

   ELES CONTARAM A ELA UM MONTÃO DE LINDAS ESTÓRIAS E A QUASE FADA OUVIA TUDO COM MUITA ATENÇÃO E SE ENCANTAVA COM CADA AVENTURA CONTADA.

 

   COMO HAVIA SIDO DECIDIDO NO DIA DE SEU NASCIMENTO, ERA CHEGADA A HORA DA QUASE FADA DEIXAR O REINO ENCANTADO:

 

   -... VOCÊ DEVERÁ IR PARA O MUNDO DOS HUMANOS E SÓ VOLTARÁ PARA CASA, QUANDO ENCONTRAR SUA MAGIA DE FADA.

 

   A QUASE FADA ENTROU PELO OCO DE UMA ÁRVORE E FOI PARAR EM UM JARDIM DO MUNDO MORTAL. ERA O JARDIM DE UM MUSEU E TODOS OS DIAS UM MONTÃO DE CRIANÇAS VISITAVA ESSE JARDIM, E BRINCAVAM E CORRIAM E FAZIAM A QUASE FADA RIR A VALER.

 

   AS CRIANÇAS AMARAM O SORRISO DAQUELA MOÇA E AS MENINAS SE ENCANTARAM COM SEUS CABELOS COR-DE-ROSA.

 

   QUANDO TODOS SE CANSARAM, SENTARAM-SE EMBAIXO DE UMA SOMBRA GOSTOSA E A QUASE FADA CONTOU TODA A SUA HISTÓRIA, CONTOU TAMBÉM QUE SABIA UM MONTÃO DE ESTÓRIAS QUE OS INSETOS E TODO O TIPO DE BICHINHO HAVIA LHE CONTADO.

 

   AS CRIANÇAS GOSTARAM MUITO E NA HORA DE IREM, DISSERAM QUE TODOS OS DIAS, VOLTARIAM PARA OUVIR OUTRAS AVENTURAS E JUNTOS, TENTARIAM DESCOBRIR A MAGIA DE FADA DA QUASE FADA. 

 

  ASSIM, TODOS OS DIAS DEPOIS DA ESCOLA, MUITAS CRIANÇAS SE JUNTAVAM PARA BRINCAR E OUVIR ESTÓRIAS, EMBAIXO DA ÁRVORE ONDE VIVIA A QUASE FADA QUE TODOS OS DIAS TINHA UMA DIFERENTE PARA CONTAR.

 

                                                                       

   EM UMA TARDE DE SOL E MUITO CALOR, TODOS ESTAVAM BRINCANDO EMBAIXO DA SOMBRA DA ÁRVORE, QUANDO UMA MÃE CHEGOU PARA UMA MENINA E DISSE QUE ELA TINHA QUE IR EMBORA. A MENINA SE PÔS A ESPERNEAR, A GRITAR E CHORAR. NÃO QUERIA IR DE JEITO NENHUM, MAS A MÃE INSISTIU, POIS PRECISAVAM ESPERAR O PRIMO QUE IA PASSAR O FIM DE SEMANA COM ELAS, ALÉM DO MAIS, ESTAVA NA HORA DE SEU REMÉDIO, MAS A MENINA ESPERNEAVA, GRITAVA E CHORAVA E NÃO QUERIA IR DE JEITO NENHUM.

 

   A QUASE FADA PEDIU À MÃE QUE ESPERASSE UM POUCO MAIS, PARA QUE A MENINA OUVISSE UMA HISTÓRIA E ELA ACEITOU...

 (...)

 

            

 

                                                QUEM É ESSE NICOLAU


PAPAI NOEL



  

        Ouvi dizer que lá na Finlândia, há muitos anos atrás, vivia um senhor que se chamava Nicolau. Era um senhor muito sério e "rabugento até"! Todas as crianças tinham medo de brincar perto de sua casa, pois diziam que se um brinquedo caísse em seu jardim, nunca mais voltava para as mãos de seus pequenos donos.

 

   Nas noites de Natal, Nicolau mal punha o nariz para fora, porém certa noite algo diferente aconteceu. Nicolau ouviu uma bola pular lá fora...

 

Quic... quic... quic...

 

   E a bola quicava e quicava e Nicolau ficou muito, muito incomodado, mas a bola continuava quicando. De repente ele ouviu um quicado diferente. O quicado se aproximou de sua janela.

 

   A bola havia caído em seu jardim e agora era sua propriedade. Nicolau correu para tomar a bola antes que a criança mal educada a pegasse de volta. 

 

   Quando chegou no jardim, olhou tudo, mas não havia nenhuma bola. Também não havia nenhuma criança na rua. O que será que aconteceu?

 

      Ele resolveu olhar um pouco as casas da vizinhança. Estavam todas enfeitadas com luzes, duendes, hienas... Nicolau também quis olhar para o céu. Estava nevando e Nicolau gostou de sentir os flocos de neve tocar seu rosto e derreter. Fechou os olhos e os flocos continuavam a derreter tocando em sua pele.

 

   Sem esperar, ele começou a sentir um calorzinho e resolveu abrir os olhos. Entre os brancos flocos de neve, Nicolau viu que uma estrela descia do céu e vinha em sua direção. Não acreditando no que via, esfregou os olhos, fechou bem apertado e quando voltou a abrir, viu que a estrela continuava descendo e se aproximando, se aproximando, se aproximando e foi parar lá dentro, bem no fundinho do coração de Nicolau, que sentiu aquele calorzinho gostoso, lá dentro do peito.

 

   Depois daquele dia, Nicolau, que era carpinteiro, começou a fazer brinquedos e mais brinquedos de madeira. Durante o ano ele até vendia alguns, mas o que ele gostava é de quando chegava a noite de Natal Nicolau pegava um montão de seus brinquedos, colocava todos em um saco, colocava no trenó e ia ,junto com sua esposa, entregar os brinquedos nos orfanatos e nas casas de crianças pobres que haviam nas proximidades.

 

   Certa noite de Natal, quando Nicolau e a esposa vinham de sua longa jornada para entregar seus brinquedos, houve uma terrível tempestade de neve. As renas que puxavam o trenó até tentaram enfrentar a tempestade, mas logo ficaram muito cansados e adormeceram. Nicolau aninhou a esposa em seu colo e logo os dois também adormeceram. Tudo ficou tão escuro e tão calmo...

 

 Vozes...vozes...vozes...

 

   Nicolau começou a ouvir vozes, muitas vozes e abriu os olhos para ver de onde vinham. O que viu foram pequenas lanterninhas vindo longe, longe.

 

   A tempestade já havia passado, todos pareciam bem, mas ainda dormiam e as lanterninhas se aproximavam rápido.

 

   Logo chegaram bem perto de Nicolau e ele pode ver os pequenos homenzinhos vestidos de verde, que se aproximaram e gritaram em coro: “Olá Papai Noel”. Nicolau não entendeu, mas os homenzinhos trataram de acordar os outros e levaram todos para um lugar grande, que se parecia com uma grande e colorida fábrica de brinquedo. Tudo era muito alegre, mas com a aparência de estar abandonada há muito tempo.

 

   Os homenzinhos disseram que esperaram Papai Noel por muito, muito tempo, mas que valeu a pena tamanha espera.

 

    Nicolau não parava de repetir seu nome e dizia que não se chamava Papai Noel, então os homenzinhos lhe disseram que agora Nicolau havia se tornado o Papai Noel e que viveria para sempre naquela fábrica de brinquedos, lá no Pólo Norte e que nas noites de Natal entregaria presentes às crianças boas do mundo todo.

 

    Ele não acreditou. Imagine! Entregar presentes às crianças do mundo todo. Então os homenzinhos lhe contaram um segredo que fazia parar o tempo e lhe apresentaram as renas que comiam uma ração mágica e depois voavam, carregando o trenó pelos céus.

 

   Nicolau e a esposa, então, ficaram por lá e toda a noite de Natal ele, Papai Noel, voa pelos céus entregando presentes para as crianças do mundo inteiro e desejando a todos...

UM FELIZ

NATAL!